Karaman’dada!

Há cinco meses dei a maior «Karaman’dada» da minha vida! Isto é, a maior que o meu umbigo me deixou dar. Foi bom, é certo, mas difícil até lá ter chegado: eroticamente falando equiparar-se-á ao tantrismo, mas na realidade foi uma estafa do caraças. Hinduísmos à parte, pus-me a caminho da incógnita Karaman, perdida na imensidão turca.

De Guimarães a Lisboa foram 4 horas de distância, de Lisboa a Istambul outras tantas e tantas outras de espera no aeroporto – as escalas são tramadas! E, os turcos são tão bons a tramar.

A larica foi apertando e nada melhor de que comprar alguma coisa para a combater – sim, poderá não ser a palavra mais adequada quando se viaja para a Turquia (pelo menos para quem nunca a tenha visitado). De facto as armas eram muitas e incrivelmente apetecíveis: montras somadas a montras, munidas da nata da doçaria conventual turca – quero dizer tradicional, ou talvez tenha sido propositado. Todavia, todo o bom viajante tem como certeza inolvidável que comprar coisas deste género, ou seja, que se comam, num aeroporto é como ir a um canil e dar dinheiro por um cão que está para adopção – não se faz! E, como não se faz e a larica continua a apertar, nada melhor que ir à vil barraca das gomas e abastecer-me de umas quantas – afinal é material barato e doce. Quer-se dizer, entre liras turcas e euros, quando um turco faz valer uma goma ao preço de uma bica em Portugal, a larica desaparece da forma mais azeda possível. Mas, quando se é chulado sem se saber, come-se a goma, vai-se a larica e segue-se viagem – foi isso que aconteceu.

Uma hora de viagem depois, chegou-se a Konya, uma das maiores cidades da Turquia, a impressão essa, não era por certo negativa: havia neve nas montanhas, mais que na Serra da Estrela (porreiro!) e uma cidade que dava por multiplicar por 2 a soma das 7 colinas de Lisboa. Porém, faltavam 2 horas de táxi (?) para o destino final.

Se houve algo que a Turquia me demonstrou, foi o de que nunca devemos ter por adquirido o significado que os nossos pais nos ensinaram acerca das coisas: táxi? Quando pensar que um avião das companhias low-cost é uma lata com asas, pode ter a certeza que na Turquia existem latas de atum com rodas às quais as pessoas chamam táxis. Contudo, nem tudo é mau: a falta de aquecimento é debelada por outro ensinamento turco, o de que há sempre espaço para mais um.

Não! Não é o

Não! Não é o “táxi”!

Assim fomos, sete no total, num “táxi” de cinco, pelos caminhos, não de Portugal – porque esses são bem melhores -, mas por outros, mais tortuosos, abrigados da neve e, paradoxalmente, com WiFi, até que pergunto num inglês ranhoso: this is Karaman?

Eis então, a pergunta mais estúpida que o nome deste blogue… porquê? Porque deram-me a resposta em turco! E isso não é bom? Nada, porque não percebia um chavelho de turco, fiquei sem saber onde estava e, mesmo que percebesse, o gajo certamente não me deu resposta à pergunta. Porquê? Porque o inglês não era o seu forte. Perante isto o melhor foi mesmo ter adormecido, sentado, de cabeça baixa a bandolear com as curvas, no meio de dois matulões de meia idade com o banho por tomar.

A “lata” pára. Acordei. Tinha chegado.

Saí. Pego nas malas e começo a andar, estupefacto. Vejo uma galinha a passar diante dos nos pés, no meio da neve, e pergunto-me: raios, onde é que o meu umbigo me trouxe?

Karaman!

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