O culto da barba

Numa luta que se avizinhou renhida com os hambúrgueres gourmet, a barba elevou o estatuto a maior praga dos últimos tempos. Há quem a ame e decerto quem a odeie, não fosse uma vencedora. Não obstante, inevitavelmente a barba faz o homem: mais sábio, refinado ou talvez mais porco e desleixado.

 Relicário com um fio da barba do Profeta Celaleddin Rumi, conhecido mais tarde por Mevlâna, a ser contemplado pelas diversas mulheres que visitam o Mevlânâ Müzesi, em Konya, Turquia.

Relicário com um fio da barba do Profeta Celaleddin Rumi, conhecido mais tarde por Mevlâna, a ser contemplado pelas diversas mulheres que visitam o Mevlânâ Müzesi, em Konya, Turquia.

Uma pesquisa levada a cabo pelo Birmingham Trichology Centre, nas mãos de Carol Walker, especializada no estudo dos pêlos corporais (sim, há quem o faça!), comprovou que barbas volumosas levam a infecções de pele mais frequentes e à transmissão de germes para outras pessoas (nada que um bom aperto de mão não o faça). Mas a justificação é ainda mais pertinente: segundo Walker, isto acontece porque os pêlos da barba assumem um formato com base circular e convexa e vão afinando nas pontas tornando-se assim propícios à caça de germes e gordura – bem, catastrófico! Imaginem agora, as conclusões desta senhora se visse um barbudo minhoto a comer caldo verde.

Walker vai com calma! Então e a defesa do direito a ser barbudo? É legítima, diz ela! “Bigodes que atingem a área nasal são capazes de parar ou até mesmo impedir que agentes alergénios entrem no nariz e sejam inalados pelos pulmões” – afinal a miúda não é da contra propaganda! E, mesmo que fosse, a ditadura está instalada e feita de contrariedades e desafios.

Há barbudos abarbarados de barba cheia ou de barba longa, de bigode ou com barba por fazer por não ter sido desfeita. Há aqueles que não escolheram a barba e aqueles em que a barba os escolheu. Todos eles com prazeres da vida que só um barbudo pode ter: a eterna companhia das horas vagas, o cafuné vespertino e o agasalho nos dias mais frios. No entanto, nem tudo são rosas e a vida de um barbudo nem sempre é fácil.

O barbudo tem dificuldade em economizar: passa a ter de lavar a barba com o champô que era para o cabelo.

O barbudo tem dificuldade em se alimentar: passa a ter cuidado sempre que leva uma colher de sopa à boca.

O barbudo tem distúrbios da personalidade: sempre que olha para a foto do BI.

O barbudo vive o pesadelo: sempre que apara a barba e o pêlo teima em não crescer.

O barbudo tem medo: sempre que uma lâmina se aproxima.

O barbudo tem muito medo: sempre que o cabeleireiro lhe trata das patilhas.

O barbudo é um gajo porreiro atrás de uma barba que nem sempre é macia!

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