Diário de Bordo // Altos e Baixos

Do alto para os Baixos, Rotterdam foi destino traçado numa surpresa sem contar. E por contar ficaram meia dúzia de trocos que, estranhamente, deram para umas boas miudezas de felicidade.

Tudo acabou por onde devia começar. Os planos desenharam-se numa Páscoa portuguesa, de conversas sem fim na eira e amêndoas lambuzadas à lareira. Mas, assim como vieram assim se foram. Certos aleluias anularam mais intenções que a própria vida e janelas fechadas são olhos de quem não quer ver. Portanto, sob alguns palmos de terra e outros tantos sem testa, desenrasquei bom remédio para um doce desengano.

Ela confiou em mim – com a certeza, porém, que nunca deveria tê-lo feito. Eu agradeci – incerto de que o ganho fosse maior que a sua preocupação. Comprei os bilhetes de avião mais baratos e tudo viria a propósito, se ela soubesse esperar. Envaidecido do que sabia, não reparei no que havia acabado de fazer. No entanto, para saber alguma coisa, seria necessário saber um pouco de tudo – e eu, nem o nome da terra onde iríamos aterrar conseguia pronunciar.

Eindhoven, assim se escreve – em holandês, por sinal. Terra para uma tarde, que os outros dias queriam-se para um pouco mais: por Rotterdam. Embicado, a não querer cair aquando da chegada, adiantei caminho como nunca o tinha feito antes:

  1. As malas querem-se prontas no dia anterior: roupa para cada dia e um casaco para todas as horas.
  2. 23 de Março de 2016: o dia a nascer e um café por tomar.
  3. Chelmsford é casa de partida para se ver ponto de chegada, quatro tardes depois.
  4. Serão 6h05  aquando do arranque do autocarro X30 com direcção a Stansted Airport. Teremos 30 minutos de sono guiado para 345 600 segundos de namoro.
  5. O voo FR9271 descola às 8h50 para chegar às 11h – porque os holandeses marcam o passo com uma hora de adianto.
  6. Em Eindhoven Airport será tempo de lhe dar a mão até ao autocarro 400, ou 401 – consoante lhe darem na estrada.
  7. A paragem faz-se em Eindhoven Station:  uma porta para um almoço queimado numa tarde de passeio.
  8. De volta a Eindhoven Station, 130 metros depois, a plataforma 6 quer-se cais de embarque para o Intercity 1944 que tem Den Haag Centraal  como um fim à vista que não queremos.
  9. Uma hora de “pouca-terra” e 15 minutos de outra tanta, Rotterdam Centraal surgirá. Será a altura de assentar arraias em território desconhecido e partir à descoberta – quanto mais não for do hotel.

Escrevi cada um destes passos numa página que guardaremos para sempre. De vaidade pequena e um orgulho dos grandes, ela pareceu-me determinada para esta aventura.  Não obstante, a verdade é que até acabar, entre altos e baixos, o diário de bordo não deixa de ser um livro em aberto.

 

 

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